segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cultivar Amores, Aproveitar Amizades


Não sei o que me impele hoje a escrever. Talvez seja a empolgação reflexa ao ler um livro “Feliz Por Nada” de Martha Medeiros. Talvez seja por estar tranquila, relaxada, aproveitando minhas férias e com a cabeça livre das preocupações diárias. Minha única preocupação aliás, foi tentar visitar o maior número de amigos no melhor tempo de qualidade com eles.
Foi uma experiencia interessante. Enquanto muitos acreditavam que eu iria aproveitar a praia, tendo o privilégio de ter conhecidos morando em lugares “horríveis” como Balneário Camboriú e Florianópolis, eu optei por outro tipo de diversão: ver os amigos que ganhei da vida em minha trajetória de 5 anos em Santa Catarina. Amigos com “A” maiúsculo, como costumo dizer. Amigos de verdade, pessoas que amo imensamente e que fazem parte da minha história. Pessoas que conhecem algumas de minhas facetas. Umas conhecem as fragilidades, outras meus defeitos e outras ainda, estiveram comigo em momentos de muita dificuldade. Há aquelas que estiveram ao meu lado e contribuíram para meu autoconhecimento. E outras que participaram de tudo isso junto.
Claro, há as que não contribuíram para nada, ou talvez, por motivo que desconheço, procuraram tornar minha vida mais difícil, ou foram simplesmente insípidas quando lhes precisei do sabor. Essas, não me preocupei em visitar. Mas agradeço mesmo assim de sua participação na minha vida, pois me mostraram o que não devo ser.
Não consegui ver todos a quem amo, seria necessário pelo menos mais 5 dias. Mas deu para viver com intensidade todos os momentos que pude passar com eles. Do mar, vivi apenas um ou dois mergulhos. Das pessoas, vivi a intensidade de amar e ser amada. E o abastecimento emocional necessário para continuar minha caminhada e plantar novos amores, novas amizades em nova fase de vida aqui no Paraná.
E qual o proveito de tudo isso? Cultivar amores, aproveitar as amizades! Relacionamentos são vias de mão dupla: os investimentos vão e retornam. É bom investimento preocupar-se com tesouros de carne e osso, que são os amigos. Valorizar, investir neles. E ser um bom amigo também. Pessoas são muito mais importantes que praia, dinheiro ou ostentação (querer que os outros acreditem se somos melhores do que realmente somos). E na simplicidade de se ser quem é, se sentir amado por simplesmente existir, viver o prazer de ter amigos... é bom demais!!!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Carência


Quem nunca ficou carente? Aquele sentimento de estar sozinho, um vazio, um mal estar que parece que só pode ser sanado com a presença e o amor de uma pessoa específica. Segundo o dicionário Michaellis, carência significa “necessidade”; “Falta do preciso”. Engraçada essa definição da “falta do preciso”, como sendo a falta de algo específico. O estranho é que muitas vezes quando nos sentimos carente, nem sempre é devido à falta de algo específico. As vezes é um estranhamento, um desejo difuso, meio perdido. Por outras, a falta é de algo (ou alguém) tão específico que parece que é impossível ser suprido.
Sentir isso de vez em quando é normal. É chato. Mas de uma maneira ou outra, passa. Especialmente quando conseguimos focar nossos pensamentos e ações naquilo que temos ao nosso alcance ou naquilo que nos faz bem e não no que nos falta.
Normalmente as pessoas se preocupam mais com o que faz falta. E quanto mais pensam nisso, mais carentes ficam. Parece fácil falar para a pessoa pensar nas coisas boas que ela tem para diminuir a carência. Simples de dizer, difícil de fazer. Por outro lado, se nada for feito, a carência continua e as vezes fica crônica. O que fazer?
Podemos olhar para situação e analisar: tem solução ou não? Existe algo a se fazer? Ou é impossível suprir esta falta? Quando se há algo a fazer, a melhor coisa é ponderar os sentimentos e tomar atitudes para que possamos atender nossas necessidades. Muito acham que são as outras pessoas que devem suprir nossas faltas. Esse é o caminho mais curto para a frustração. Há pessoas que reclamam do casamento, do companheiro (a). Mas pouco fazem para nutrir o próprio relacionamento, ficam apenas esperando a atitude do cônjuge. Vão continuar carentes, com certeza. Não adianta esperar. É necessário fazer algo por si mesmo.
Mas quando a carência não pode ser suprida de alguma forma (esperar o carinho de alguém que já foi, ou que ainda não existe), resta a aceitação. Sim, aceitar que não se tem aquilo que precisa e focar naquilo que se tem e lhe dá satisfação.
Não é possível ter tudo, mas é possível se satisfazer com aquilo que temos. Ficar carente, faz parte da vida. Viver carente, isso é outra coisa. Viver carente se torna uma dolorosa escolha, e que as vezes vira vício. Vício de se sentir deixado de lado, vício de ter o papel de “coitadinho”. Disso para uma depressão, pode ser um pulo. Neste caso, procurar ajuda profissional é imprescindível. Carência, pode ser um estado emocional que passa. Viver carente é uma péssima opção de vida.

sábado, 21 de abril de 2012

Onde vamos parar??


Onde vamos parar? Ou melhor, a que ponto já chegamos?
Outro dia me surpreendi ao ler no jornal de que um diretor de escola fora agredido por alguns alunos. Depois me deparo com a notícia de pessoas que induziram um rapaz a beber até passar mal e morrer. Adolescentes que botam fogo em mendigos. Onde está o senso de respeito à dignidade das pessoas? Que outras atrocidades nossa sociedade vai continuar permitindo que aconteça?
Professores já não são respeitados, nem como quem tem a responsabilidade de transmitir o saber e muito menos como autoridade em sala de aula. Pessoas com algum tipo de deficiência ou em classe socioeconômica mais pobre são vistas como inferiores, ou menos dignas de respeito.
Quais são os valores que estamos passando para nossas crianças? Quando julgamos alguém por sua aparência, ou quando achamos que o dinheiro pode comprar qualquer coisa, até uma vaga na faculdade sem o devido esforço para conquistá-la? Pessoas que não respeitam o horário de um compromisso, uma fila no supermercado ou a dificuldade de idoso.
De onde se tira a ideia que maior grau de instrução, maior quantidade de bens ou dinheiro, aumenta o valor de uma pessoa? Valoriza-se o rico, despreza-se o pobre. Minimiza-se a dignidade das pessoas, em especial o diferente.
O filho apronta na escola, desrespeita o professor. O papai/mamãe vai lá defender o filhinho e ainda dizer que a escola está errada. Uma mentirinha é melhor ser dita do que falar a verdade e lidar com um problema. É mais fácil colocar a culpa nos outros, no governo, no sistema, no professor, no filho, na babá, na vizinha, na falta de tempo, etc., etc., do que assumir a responsabilidade sobre os próprios atos. É mais fácil colocar a sujeira por debaixo do tapete. É mais fácil dar presente para compensar a ausência, do que dedicar tempo para ensinar os filhos o que é certo e errado.
Infelizmente hoje os valores se invertem: as coisas assumiram a prioridade em relação às pessoas. O interesse próprio é superior ao interesse da comunidade. Valores como respeito aos outros, generosidade, honestidade, estão se perdendo. O resultado? Está aí, nas tristes manchetes dos jornais... Qual é sua contribuição para mudar isso?
Você vai me dizer: “é dificil mudar uma sociedade”. Sim, é difícil. Mas há uma atitude que está ao seu alcance: o BOM EXEMPLO. “Seja você a mudança que quer no mundo”.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Desconecte-se




Outro dia vi uma matéria na internet que dizia que os usuários dos smartphones (aqueles celulares com conexão com internet e redes sociais) estão mais estressados do que a maioria das pessoas. Tal estresse deve-se à ansiedade das pessoas em ver a última atualização das redes sociais (twitter, facebook), checagem de e-mails e mensagens. É engraçado como isso pode ser viciante.
Outro dia vi uma cena bizarra, que tão comum, não chama mais a atenção de ninguém: num restaurante um casal de namorados termina a refeição e aguarda o cafezinho. A estranheza está no fato de ambos estarem tão entretidos com seus smartphones que acabaram ignorando completamente a presença do outro ao seu lado.
Tão comum que isso se tornou, que as pessoas nem percebem mais a “indelicadeza” que cometem ao ocupar mais a atenção com um aparelhinho eletrônico do que com a pessoa que está ao lado. Fico observando a dimensão que as relações virtuais e digitais estão tomando na vida das pessoas. Quem nunca se questionou a respeito da pessoa que comenta e curte suas publicações nas redes sociais, mas nunca pegou o tal aparelhinho de celular e ligou pra você? Aliás, questionamos as pessoas disso, mas nós mesmos acabamos fazendo o mesmo.
O que está acontecendo com as pessoas onde os relacionamentos “digitais” tomam espaço dos “presenciais”? Claro que a emoção e a proximidade das relações digitais são tão reais quando estar perto de alguém. Mas nada substitui o olhar, o abraço, o cheiro, o toque, a pele.
Creio que as redes sociais e os relacionamentos estabelecidos vem a acrescentar algo bom na vida das pessoas, se bem utilizados. É bom ter contato com pessoas que estão fisicamente distantes, encontrar pessoas que há anos não se vê e saber como elas estão. É bom saber o que elas pensam, e de alguma maneira concordar ou discordar delas.
Tudo isso é muito bom. A questão é quando estas relações virtuais ocupam mais espaço na nossa vida do que as pessoas que estão realmente perto de nós. Há um vídeo tocante no youtube sobre isso “Desconecte-se para se conectar”, mostrando claramente como as pessoas “desaparecem” quando nos conectamos aos “aparelhinhos”. Ao invés de aproximar as pessoas, parece que está afastando cada vez mais uns dos outros.
O único recadinho da semana é... dê prioridade a quem está ao seu lado. Quem está do outro lado da tela, espera, olha depois... o recado fica salvo, não se preocupe. Mas o tempo que você deixa de aproveitar com a pessoa que está presente com você não volta. E só é “salvo” quando bem aproveitado... do contrário, os segundos, a existência, vai pra lixeira. No filme “Nosso Lar” há uma frase que instiga a reflexão sobre isso: “Quantos anos são necessários para reconstruir um instante?” Espero não precisar desejar querer reconstruir qualquer instante... quero todos os meus bem vividos...
http://www.youtube.com/watch?v=SGhYBOk_Pxc

quarta-feira, 28 de março de 2012

Viver Sem Limites




Outro dia, conversando com algumas pessoas sobre o abuso do álcool uma pessoa comentou: “Tem gente que segue a propaganda da TIM: Viver sem limites”. Na verdade o slogan da TIM é “Viver sem fronteiras”, o que é bem diferente de viver sem limites. Mas há quem acredite que viver bem é viver sem limites.

O que é viver sem limites? Viver em plena liberdade? Ás vezes as pessoas tem a sensação de que ter liberdade é não ter limites para nada. Sem limites para se divertir, para festar, para beber, para o que der na cabeça. Enfim as pessoas desejam muito não ter limites para o que é bom.

E desejar isso, na verdade não é ruim. O problema é que a vida tem limites, nossa saúde, nossa conta bancária e as pessoas com as quais convivemos também. Nós todos temos limites. Viver com liberdade está muito mais ligado aos limites que imaginamos. Liberdade é quando sabemos até onde podemos ir com nossas atitudes, decisões. Quando sabemos calcular as consequências de nossos atos e escolher o que é melhor.

Os limites devem estar nas atitudes, pensando nos possíveis resultados do que fazemos ou do que não fazemos. Algo pode parecer bom, mas mesmo o que é bom, se exagerarmos, faz mal. Por exemplo? Exercícios físicos, são ótimos para a saúde, não é mesmo? Mas se não respeitarmos os limites do nosso corpo, se extrapolarmos sua capacidade de se adaptar o que acontece? Temos lesões, dores, etc. Tomar água é bom. Mas em exagero, também prejudica nosso corpo. Trabalhar? Trabalhar é muito bom, mas se ocuparmos todo nosso tempo somente com o trabalho, por mais que seja bom, acaba nos prejudicando, seja na saúde ou relacionamentos.

Amar também é bom. Aliás, é ótimo. Mas quando este amor extrapola a individualidade do ser amado, ou quando ama-se tanto algo que esquecemos de nós mesmos, acaba sendo ruim e levando a um relacionamento doentio.

O que quero dizer com tudo isso é que, viver sem limites não é viver a vida de maneira inconsequente. Viver sem limites é saber usar da liberdade que se tem de escolher o que é melhor para si. É identificar e se desprender das correntes (seja ideias, dogmas, crenças) que nos impedem de ser feliz. Viver sem limites é dar asas aos sonhos e olhar para a realidade com o planejamento e ações para fazê-los acontecer. Viver sem limites é olhar para si e gostar do que vê. É construir pontes, laços, se deslumbrar com a vida e olhar para o melhor que ela tem a nos oferecer. E aceitar e enfrentar as dificuldades que ela impõe. 

Viver sem limites é saber que a vida tem limites.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A Mulher de Hoje



Quem é a mulher de hoje? Ultimamente tenho me perguntado isso.
A superação da mulher em várias áreas da vida está estampada hoje no rosto de todas. É muito interessante observarmos a mudança espantosamente rápida que ela teve na sociedade. Há não muito tempo o lugar da mulher era de dona de casa e de mãe.
Hoje vejo um incremento do espaço da mulher. São somo mais donas de casa e mães. Aliás, já não temos mais o direito de ser só isso: temos de ser boas administradoras da casa, boas mães, boas profissionais (de sucesso especialmente). Precisamos saber nos relacionar, devemos ser boas amantes, estar com o corpo em dia, cabelo lindo, unha perfeita e zero celulite. Temos de dar conta das compras e contas da casa, cuidar e educar os filhos (que devem sempre estar lindos, cheirosos e ir bem na escola) e com a festa de aniversário perfeita. Já foi-se o tempo em que festinha de aniversário de criança tinha meia dúzia de bexigas, um bolo, gelatina nos copinhos de café e mini cachorro quente.
Quantas responsabilidades! E ainda temos que dar conta de sermos pessoas cultas e informadas. Sem esquecer, é claro, de estar sempre sorrindo. E sabe o que é interessante? Damos conta de tudo. Fazemos tudo isso sem problema algum.
Ailás, isso não é novidade pra ninguém. Aliás, é orgulho de todas. Independência, autonomia, energia, superação! Brigamos por nosso espaço, defendemos nossos direitos e nos defendemos. Não precisamos de mais nada. Será?
Será que conquistamos tudo o que precisamos?
Nunca se consumiu tantos medicamentos para depressão e ansiedade. Nunca as pessoas estavam tão estressadas. Nunca os contatos sociais e a proximidade afetiva foram tão raros.
Por vezes é necessário dosar as coisas na nossa vida. Aprender a respeitar os limites do corpo, os limites da alma. Priorizar o que é mais importante. Avaliar o que é realmente necessário. Pedir ajuda. Compartilhar. Se permitir ser cuidada, ser frágil. Mesmo que saibamos que somos fortes. Mas é importante aprendermos a não só conquistar espaços e reconhecimento na sociedade, mas a sobreviver a tudo isso com saúde e plenitude de nós mesmas. Para isso é imprescindível conhecermos a nós mesmas, nossos sonhos, desejos e nossos limites.
Feliz Mês da Mulher!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Eu Adoro Minha Televisão II



Estamos na “temporada” dos reality shows na TV! E é impossível não falar sobre isso. É interessante como estes programas suscitam algumas discussões, como a recente suspeita de estupro no BBB 12. Tal ocorrido faz as pessoas comentarem e refletirem a respeito do abuso sexual, consumo de drogas, comportamento promíscuo e até mesmo da utilidade de se assistir tais programas.
Confesso que estava bem por fora de tudo isso e que precisei pesquisar um pouco para poder falar do assunto. Outro dia até consegui assistir 5 minutos do BB. Só 5 minutos? Sim! Não consegui assistir mais. Não consegui me interessar pela vida de pessoas que não fazem parte da minha vida, e que ficam discutindo banalidades, fofocas e maldades entre si. Qual é o proveito disso? Pra mim um circo de horrores, onde se legitima o interesse pela vida alheia, em detrimento à atenção à própria vida.
A banalidade é valorizada. A futilidade exibida em horário nobre. E fazemos o que? Sentamos e assistimos passivamente, deixando de usufruir de um tempo valioso com nossos amados.
Radical eu? Não sei. Mas me diga o que você aprendeu no ultimo BBB? Na “A Fazenda” ou programas parecidos que você assistiu? O que você tirou de proveitoso para sua vida no último episódio de “Mulheres Ricas”?. Se aprendeu algo legal para sua vida, por favor, me mande um e-mail. Estou muito interessada em saber (e quem sabe partilhar da ideia no próximo artigo...).
As vezes somos coniventes com o “estupro mental” dos programas de televisão. Permitimos e aceitamos ser usados como massa de manobra. Enquanto muitos se preocupam com quem vai sair no próximo “paredão”, a vida continua acontecendo. Nossos governantes discutem e aprovam leis que interferem diretamente na nossa vida. Vereadores e prefeitos fazem ou deixam de fazer coisas em nossa cidade. Pessoas precisam de nosso amor, de nossa atenção. Nossa vida continua.
E enquanto isso se faz o que?? Fica-se parado, estagnado, alheio a si mesmo e assistindo a vida alheia.
Ainda estou tentando ver se encontro algum proveito maior nisso do que cuidar e investir na própria vida. Porque enquanto assistimos à banalidades, somos violados do nosso precioso tempo. O estupro da inteligência, do tempo e do investimento naquilo que é mais precioso: nós mesmos, nossos relacionamentos... no nosso viver.